Orgasmo na Terceira Idade?

Resposta Sexual dos Idosos na Terceira Idade

Com relação à mulher idosa, a nível de desejo, notam-se respostas bastante divergentes. Desde a ausência do desejo, até uma exacerbação da libido. Estes fenômenos levam-nos a pensar na presença de uma moral sexual interpondo-se à função biológica, que deveria estar preservada.

Na fase de excitação, observa-se qualitativamente a mesma resposta sexual do jovem, porém uma diminuição quantitativa dos fenômenos, como, por exemplo, do rubor, do aumento do clitóris e pequenos lábios e a lubrificação vaginal, começa mais lentamente e é menos acentuada. Associando-se ao menor trofismo vaginal, “espessura do tecido”, em que as paredes vaginais afinam, tornando-se menos elásticas, o processo excitatório poderá vir acompanhado algumas vezes de dor à relação sexual (dispareunia). Nestes casos, a simples reposição estrogênica, sob a forma de medicação oral e tópica, melhorando o trofismo vaginal, resolveria a situação.

A fase orgásmica da mulher idosa mostra contrações rítmicas da vagina, porém em menor número. As contrações retais ocorrem menos freqüentemente.

É certo que a atividade sexual pode continuar por longo tempo após a menopausa, sem dificuldade mecânica ou secura vaginal e, freqüentemente, dispensando a hormônio terapia, desde que seja mantida uma regularidade no relacionamento sexual. É na ausência de uma atividade sexual regular que vão aparecer os distúrbios tróficos, impedindo os contatos posteriores e desencadeando distúrbios psicossexuais (J. Vegue).

Com relação ao homem idoso, vamos também observar que a fisiologia do desejo sexual nestes indivíduos não está bem esclarecida, podendo apresentar desde a inapetência sexual até o aumento do desejo. Porém, na maioria das vezes, este desejo se encontra diminuído.

A fase de excitação, que tem como expressão maior o fenômeno da ereção peniana, mostra que estas ereções tendem a ocorrer mais lentamente que a do homem jovem, tendo um período de detumescência (perda de ereção), porém mais tardio.

No período orgásmico, a ejaculação acontece num só tempo, com pronunciada diminuição da fase de inevitabilidade ejaculatória. O ejaculado sofre redução na quantidade e é expelido sob pressão menor.

No homem, diferentemente da mulher, existe um período subsequente ao orgasmo que é o período refratário, onde o homem não é capaz de vir a apresentar uma resposta sexual completa, apesar da presença do estímulo sexual. Nesse caso, na maioria das vezes ele não apresenta uma ereção ou, se esta estiver presente, não virá acompanhada de ejaculação. Este período refratário é bem maior no homem idoso. Pode durar minutos, horas ou dias. Observa-se que, quanto maior a atividade sexual do adulto, menor seria seu período refratário na velhice.

Em resumo, pode-se afirmar que a resposta sexual humana se torna mais lenta com a idade, mas nunca desaparece por completo.

Fonte: Gerson López – Sexualidade Humana – 2ª Ed. – Capítulo 03 – A Sexualidade e a Terceira Idade

Copyright © 2004 Bibliomed, Inc.                  03 de Junho de 2004

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Os Idosos e a Aids no Brasil

       A  Aids está longe de atingir apenas os jovens. A doença vem sendo registrada de forma surpreendente entre os idosos. Segundo dados do Ministério da Saúde, 2% da população acima de 60 anos são portadores do vírus HIV, o que significa que 5.500 idosos têm a doença. Só em Belo Horizonte, 3% da população têm o vírus, número acima da média nacional.
       A assessora da unidade de preservação do programa da Aids do Ministério da Saúde, Vera Da Ros, atribui esse número a dois fatores. Primeiro, à nova geração de idosos que têm recursos para prolongar a qualidade de vida, o que conseqüentemente prolonga também a vida sexual. O segundo fator é que ainda existe o tabu de se falar sobre a sexualidade na terceira idade. Para a assessora, é justamente aí que mora o perigo, pois, comprovadamente, os casos de infecção de Aids nessa faixa etária são sempre por contaminação sexual, e na maioria das vezes entre heterossexuais.
          Vera Da Ros afirma que o idoso nessa faixa etária ainda está ligado à família, mas a falta de aceitação por parte dos familiares e dos próprios médicos de que ele ainda está ativo sexualmente causa muitos estragos.
 

Vera concorda com o Ministério da Saúde sobre a importância do fator cultural:
- O homem mais velho tem mais dificuldade de aceitar o preservativo, porque ele associa isso à sua juventude, quando não se usava muito a camisinha.
Um outro fator, segundo Vera, é que o homem idoso só tem ereção parcial, o que dificulta a colocação do preservativo. Além disso, há o fator comportamental.
- O homem mais velho sempre busca uma mulher jovem que, na maioria das vezes, acaba sendo uma prostituta.
Hoje, o homem idoso tem acesso a medicamentos como o Viagra, que fazem dele vítimas potenciais de doenças sexualmente transmissíveis. Por isso, Maia defende uma maior atenção à sexualidade do idoso.
- Os médicos que lidam com o idoso devem ficar atentos, porque uma das manifestações de Aids na velhice é o quadro de demência e muitos não desenvolvem o quadro clássico.

07/03/2004 – Jornal do Brasil

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O Amor da Velhice

    O romance e a paixão que sobrevive às mazelas do tempo criam metáforas em potencial para Psicanálise rever seus conceitos sobre ternura e sexualidade.

     O amor dos dois surgira no tempo em que ele é mais puro: adolescência. Riam, passeavam pela praça, comiam pipoca, e faziam planos para quando se casassem.

      Naquele tempo, antes dos progressos da ciência, grassava uma praga mortífera chamada tuberculose que atacava os pulmões. Para ela não havia remédio a não ser comida, repouso e ar puro. O resto era o próprio corpo que tinha de curar-se. Pois ela, a tuberculose, invejosa da felicidade dos dois jovens, alojou-se nos pulmões do moço. Ele teve de deixar a sua cidade e a sua namorada em busca de ar puro, no alto das montanhas, um sanatório, tal como Thomas Mann descreveu em seu livro A montanha mágica.

     Quem ia pra tais lugares de cura despedia-se com um “adeus” e um olhar de “nunca mais”. Na melhor das hipóteses muitos anos haveriam de se passar.

     E aconteceu com a jovem o que seus pais sugeriram: ela se casou. E ele também se casou. E por mais de 50 anos não se viram. Quando ele tinha 76 anos, ficou viúvo. Quando ela tinha 76 anos e ele 79, ela ficou viúva. E ficou sabendo que ele, o amor de sua juventude estava vivo. A curiosidade e a saudade foram fortes demais. Ela não resistiu. Foi à sua procura. Encontraram-se. E, de repente, eram de novo namorados adolescentes apaixonados. Resolveram casar-se. Os filhos protestaram, não suportam a idéia de que os velhos também amem. Especialmente se forem seus os pais…

     Mas os dois velhos já, no fim da vida, sabendo que o tempo de amor que lhes restava era curto, não deram ouvidos aos filhos: casaram-se e mudaram-se para uma cidade no interior.

     Viveram um ano de amor intenso que provocou metamorfoses: ele se descobriu poeta, começou a escrever poesia. Além disso, tirou seu violino de cima de guarda-roupas e passou a fazer parte de uma orquestra da cidade. Confessou a um sobrinho: “Se Deus me der dois anos de vida com esta mulher, minha vida terá valido a pena…”. Bem que Deus se esforçou. Mas o corpo já estava cansado. Morreu de amor. Eu achei essa história tão comovente que a transformei num texto.

     Passaram-se semanas da sua publicação. Eram dez horas da noite. Eu trabalhava no meu escritório. O telefone tocou. Voz aveluda de mulher do outro lado.

     – É o professor Rubem Alves?

     – Sim, respondi.

     – Quero agradecer a belíssima crônica que o senhor escreveu com o título “…e os velhos se apaixonam de novo”. O senhor deve ter adivinhado quem está falando…

     – Não, não adivinhei, respondi. Aí ela se revelou:

     – Sou a viúva.

     Foi o início de uma deliciosa conversa em que ela contou detalhes que eu desconhecia. O medo que ela teve quando ele resolveu mandar consertar o violino! Ela temia que os seus dedos já estivessem duros demais…

     Ah! Que metáfora fascinante para um psicanalista sensível. Sim, sim! Nem os violinos ficam velhos demais, nem os dedos ficam impotentes para produzir música! E aí foi contando, contando, revivendo, sorrindo, chorando – tanta alegria, tanta saudade, uma eternidade inteira num grão de areia… Ao terminar, ela fez esta confissão comovedora:

     – Pois é, professor. Na idade da gente, a gente não mexe muito, as coisas de sexo. Nós vivemos de ternura!

     O que me fez lembrar a observação de Kundera sobre a necessidade “de salvar o amor da tolice da sexualidade.” A sexualidade pertence à ordem da Biologia, o que nos aproxima dos animais. Mas o amor pertence à ordem da poesia. Abelardo e Heloísa se amaram até a morte.

 

 

Rubens Alves, escritor, educador e psicanalista.

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O Idoso e Sua Sexualidade

Podemos observar em linhas gerais que a relação sexual tem sido considerada uma atividade própria, sendo quase um monopólio, das pessoas jovens, das pessoas com boa saúde e fisicamente atraentes. A idéia de que as pessoas de idade avançada também possam manter relações sexuais não é culturalmente muito aceita, preferindo-se ignorar e fazer desaparecer do imaginário coletivo a sexualidade da pessoa idosa. Apesar desses tópicos culturais, a velhice conserva a necessidade psicológica de uma atividade sexual continuada, não havendo pois, idade na qual a atividade sexual, os pensamentos sobre sexo ou o desejo acabem.                                                     Devido ao desconhecimento e à pressão cultural, numerosas pessoas de idade avançada, nas quais ainda é intenso o desejo sexual, experimentam um sentimento de culpa e de vergonha, chegando a crer-se anormais pelo simples ato de se perceberem com vontade do prazer. Os idosos se distanciam e esquecem de seu próprio corpo e, tanto quanto ou mais que na infância, a sociedade impõe que a sexualidade deva ser totalmente ignorada na velhice (Limentani, 1995).
A atividade sexual nos idosos tem sido considerada inapropriada por largos segmentos de nossa sociedade, desde a família até a mídia. Alguns entendem a atividade sexual nos idosos até mesmo como imoral ou bizarra. Nossa cultura aceita mal a existência de sexualidade nos idosos, e quando eles apresentam qualquer manifestação de interesse sexual, são freqüentemente discriminados. De modo geral, não se considera correto falar disso, nem pleitear a existência de problemas relacionados com a sexualidade do idoso, mas aqui estaremos sim discutindo sobre esse assunto de forma aberta, trazendo alguns dados e mostrando que os idosos gostam de sexo SIM e querem ser livres para amar também!
O que você pensa sobre esse assunto? Comente, critique, pergunte, participe!
Pois um dia nós que somos jovens iremos envelhecer e precisamos ter uma mente nova e sem preconceitos e os que já são ou estão envelhecendo, se alegrem e se permitam ter prazer e vitalidade.
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